16 de julho de 2011

Pontuação

Os olhos ardem,
cansaço acumulado.

O corpo pede,
!
descansa]
.

Os músculos todos retraem-se...
em nome
próprio
e
oração.

A respiração
vacila
e treme de frio.

D e i t o
.
.
.
a cabeça funciona e não consigo dormir.

28 de junho de 2011

O que a vergonha cala,
o olhar declara.

Quando a boca finge que não quer
o gesto maior
não tem como evitar.

Não queria entregar
mas quando vi, já fui
sem volta
e
sem rota
pra fuga.

5 de junho de 2011

A boca que fala,
cala.

A nuca que esconde,
deseja.

Os pés que encerram o chão
não deixam rastros físicos
e não são procurados no mapa.

As impressões todas
moram em mim
e não têm previsão para irem embora.
[agora]

20 de dezembro de 2010

arranca essa faca
do meu peito
e deixe-me sangrar
de uma só vez

[sangue-sentimento
segue-sentimento]

talvez doa menos

6 de outubro de 2010

que só por pensar ser livre
já sou
e não quero a prisão da mente
nem da alma que se limita em vão

quero antes a liberdade
de pensar no que eu quiser
e poder jogar no lixo
sem medo e sem vergonha
tudo o que não me serve
e me afugenta

aprender a olhar meu umbigo
e meu presente
por que de expectativa e baú
já cansei

19 de setembro de 2010

Furacão

Ouvindo o tilintar dos
pratos-copos-talheres
decido que o bom
não é mais ouvir o mundo,
é sê-lo!
E de repente
meu movimento se mistura
ao ar.
E minha vida toda
furacão
não tem razão de ser
senão viver.

14 de setembro de 2010

Assumida anti-heroína do mundo
não quero salvar ninguém
nem minha poesia o quer

Reação gratuita de mim mesma

Me afogo em meus pensamentos
e morro na praia.