5 de junho de 2011

A boca que fala,
cala.

A nuca que esconde,
deseja.

Os pés que encerram o chão
não deixam rastros físicos
e não são procurados no mapa.

As impressões todas
moram em mim
e não têm previsão para irem embora.
[agora]

20 de dezembro de 2010

arranca essa faca
do meu peito
e deixe-me sangrar
de uma só vez

[sangue-sentimento
segue-sentimento]

talvez doa menos

6 de outubro de 2010

que só por pensar ser livre
já sou
e não quero a prisão da mente
nem da alma que se limita em vão

quero antes a liberdade
de pensar no que eu quiser
e poder jogar no lixo
sem medo e sem vergonha
tudo o que não me serve
e me afugenta

aprender a olhar meu umbigo
e meu presente
por que de expectativa e baú
já cansei

19 de setembro de 2010

Furacão

Ouvindo o tilintar dos
pratos-copos-talheres
decido que o bom
não é mais ouvir o mundo,
é sê-lo!
E de repente
meu movimento se mistura
ao ar.
E minha vida toda
furacão
não tem razão de ser
senão viver.

14 de setembro de 2010

Assumida anti-heroína do mundo
não quero salvar ninguém
nem minha poesia o quer

Reação gratuita de mim mesma

Me afogo em meus pensamentos
e morro na praia.

29 de julho de 2010

e eu que quase sempre me escondi
na minha timidez,
óculos escuros,
moleton vermelho,
all star.

faço as minhas horas
renascerem em dias
e tento te explicar que não está só

não me escondo mais...
e tenho medo da solidão.

11 de julho de 2010

a rita tocando
e tudo o mais se acabando
cervejas, cigarros
fumaça, desejo encoberto
dor

dentro da normalidade
quase nada encaixa sem você

sempre pensei

[não penso mais,
pensar dói]

a nuvem de possibilidades
me faz querer mudar, sem você
e isso tenta ser o que eu chamo de
ponto final

mas amanhã eu vejo que é só uma virgula, de novo.